28.7.09

as águas negras e os lírios no canal
o vento que assobia e acompanha este fado sobre
o silêncio

as frases soltas que se unem apenas
na tua boca
e que apenas imagino

esta distância que não se vence
com as vozes - as nossas
embaraçadas, inseguras
quase paralisadas
pelo tanto que te quero dizer
e não consigo

as águas negras deste canal que vogam
até ao Tejo, mas que não te tocam
na alvura do teu beijo

as lágrimas que assomam, mas
que se recusam a correr

vou levar comigo toda esta saudade
para a afogar na tua paixão

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